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[1/4/2003]
POLÍTICA DE MEIO AMBIENTE - Perfil governamental
Marina Silva
Maria Osmarina Marina Silva de Lima é professora licenciada em História pela Universidade Federal do Acre, em 1985. De estatura pequena, magra e olhos negros, sua fisionomia e a voz doce e meiga destoam dos discursos fortes que costuma fazer em defesa da Amazônia e dos recursos naturais do Brasil. Eleita em 1994 senadora pelo Acre, Marina usou o slogan "avisa lá que eu vou" como tema de sua campanha. E chegou lá. Neste ano foi a senadora mais votada em todo país. Em 2002, voltou às ruas para batalhar por um novo mandato de oito anos e arregaçou as mangas pela elei-ção de seu amigo e companheiro Luís Inácio Lula da Silva. Marina conheceu Lula pelas mãos do seringueiro e líder de movimentos sociais, Chico Mendes. O amigo convidou a então ativista a fundar com ele o Partido dos Trabalhadores no Acre. Marina nasceu em Breu Velho, no Seringal Bagaço, a 70 quilômetros de Rio Branco, capital do Acre. Hoje o local é um projeto de assentamento de agricultores executado pelo INCRA. Trabalhou como seringueira, plantou roçado, caçou, pescou, e, juntamente com as irmãs, ajudou a família a restabelecer as finanas e a estabilidade. Aos 14 anos, Marina aprendeu a conhecer as horas no relógio e as quatro operações básicas da matemática. Não havia escola em Breu Velho. É conhecida hoje como a "Senadora da Floresta". Sua sinceridade, sua poderosa intuição e seu profundo sentido ético, trazem para a política um novo estilo e uma nova linguagem que pode ser entendida por todos. Quem a vê e ouve, renova esperanças de um futuro melhor, um futuro para o qual Marina e a Amazônia que ela representa parecem estar sempre mandando um recado: "Avisa lá que eu vou".
Gilney Viana
Parlamentar matogrossense responsável pelo grupo temático de meio ambiente da equipe de transição do governo Luis Inácio Lula da Silva, o médico e professor doutorando em Saúde e Meio Ambiente, Gilney Viana recebeu, no curto período à frente da equipe, a incumbência de ser um interlocutor junto aos vários segmentos envolvidos na questão ambiental. Segundo Gilney, buscar o programa de governo certo é construir um pacto para melhorar os indicadores sócio-ambientais. E para isso, a ministra Marina Silva representa bem a linha mestra que determinará a ação governamental.
Gilney é muito objetivo ao resumir o conjunto de premissas e recomendações do re- latório programático que antecedeu a posse do presidente Luís Inácio. Em primeiro lugar, pensando uma política governamental que seja ambientalista, já que as decisões neste âmbito, no Brasil, terão necessariamente impacto global, dada a condição privilegiada do país com sua imensa diversidade. Na ação política, um ministério com boa qualificação e boa equipe, capaz de dialogar e alocar recursos da periferia para o centro, em ações mais preventivas do que punitivas. "Não vamos reinventar a roda", ele diz, para ilustrar uma posição de valorização do que foi acumulado com experiências positivas, tanto em instituições como o Ibama e a ANA, como locais e setoriais da sociedade civil organizada e agentes econômicos. E finalmente, não abdicar do poder de polícia, ao monitorar os espaços sócio-ambientais. Punição, como última instância, será deixada para os que não querem pactuar, e reincidirem em atos lesivos ao patrimônio ambiental da sociedade nacional.
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