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Alto Paraíso, 10/19/2002
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[04/05/02]

A caminho do desenvolvimento sustentável

Estive participando do II Fórum Social Mundial. Experimentei durante oito dias coisas incríveis. Fiz contatos com gente de todos os lugares do mundo, que trabalham para a construção de um planeta justo e sustentável. O crescimento do Fórum de um ano para outro, com a participação de mais de 65 mil pessoas com representatividade de 145 países, me pegou de jeito. Era um evento que ia além da defesa da justiça social. Estava presente, ali, gente que articula, age e se ex-pressa de maneira consciente da nossa obrigação para com a humanidade do futuro.
Os intercâmbios e a realização de atitudes verdadeiramente sociais sejam individuais ou de grupo, nos faz ver que é imprescindível compreender os problemas e buscar soluções práticas nos campos energéticos, industriais, financeiros, comerciais, agrícolas, na questão das áreas florestais e de cerrado, da água doce, dos oceanos..., de se estudar para entender de que modo a comunidade humana pode organizar-se, em todos os níveis, em função da idéia central do desenvolvimento sustentável. Pensar em sustentabilidade real exige compromisso e trabalho.
A sociedade do século 20 só enxergava a curto prazo e infelizmente a maioria da atual, em pleno século 21, segue os mesmos passos. Mas o conceito de desenvolvimento sustentável rever-te profundamente a maneira como o homem moderno se coloca diante da passagem do tempo. Quando se ouve: "Desenvolvimento Sustentável", não parece haver nada de revolucionário ou radical em torno da proposta. Quem poderia ser contra um desenvolvimento que "atenda às necessidades das gerações atuais sem ameaçar o atendimento das necessidades das gerações futuras"? No entanto, esta idéia central desafia toda a lógica de mercado da sociedade atual, extremamente capitalista e irresponsável, voltada para o lucro pessoal e imediato dos mais astutos.
O mundo, hoje, graças a uma mudança de mentalidade, transforma o cenário mundial para a arrancada do surgimento de uma nova civilização que vem se manifestando pelos mais diversos meios e expressões. A estrutura da nova sociedade será de fato "sustentável", porque estará pautada pelo respeito a todas as formas de vida e a uma profunda e necessária consciência de paz. Já sabemos, que a natureza nos trata do mesmo modo como a tratamos. Não podemos destruir a vida ao nosso re-dor e pensar que continuaremos impunes e sem efeitos colaterais. Esta mesma compreensão fundamental, quando chega até o pensamento econômico, assume a forma de um compromisso com maneiras de desenvolvimento da vida material que sejam ecologicamente sustentáveis, isto é, duráveis e equilibradas.
Para chegar a um desenvolvimento sustentável é preciso resolver um desafio ético diante das gerações futuras e das outras formas de vida. E isto só será possível se, ao mesmo tempo, enfrentarmos o desafio ético da injustiça social. Uma sociedade só pode ser ecologicamente sustentável se for também socialmente justa, politicamente democrática, eticamente responsável e espiritualmente adulta.
A revolução primeiramente ocorre no plano mental e interior, para depois então se apresentar no físico. Não pode ser acelerada - nem evitada - com os conhecidos e nocivos efeitos da propaganda na manipulação das massas ou através dos comuns hábitos de inércia impressos em grande parte da população mundial. Muitos de nós já não embarcamos mais tão fortemente na vibração do medo, alguns até superamos este aspecto negativo e estamos aprendendo. Há um tempo para tudo, e haverá um tempo para que a proposta de Desenvolvimento Sustentável seja levada a sério e aplicada em todo o mundo, sempre respeitando as peculiaridades locais.
Cada pessoa que assume interiormente um compromisso com o futuro do planeta faz com que o nascimento da nova civilização fique mais próximo. Os humanos que agora se sentem em casa, aqueles que vivem na Terra com alegria, criatividade e positivismo estão entrando para áreas como a da economia, do ensino, da administração pública, da lide-rança comunitária, entre muitas outras, trabalhando para construir um novo Sistema. Dentro de algum tempo, veremos que a humanidade já não precisa tanto evoluir através da dor, mas pode avançar mais rapidamente pela prática da fraternidade e pela percepção direta da luz espiritual, construindo justiça social e uma real qualidade de vida sustentável.
Para saber mais sobre o Fórum acesse: www.forumsocialmundial.org.br
Mauro Soares é Sec. Municipal de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Alto Paraíso e um dos coordenadores técnicos do GAMA.

autor: Mauro Soares
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